sábado, 25 de abril de 2009
Respeitável público!
Dizem que circo é coisa pra criança. Na minha opinião, as pessoas vão ao circo em duas fases da vida. A primeira é a fase em que se é um gurizinho, e é levado pelos pais. A segunda é quando já se é pai ou mãe, e eles tem de levar os filhos. No meio disso fica um espaço muito grande. Penso ser esse o momento em que mais se poderia aproveitar indo ao circo, mas a ideia de que circo é uma coisa infantil ainda está encrustrada na cabeça de todos.
Fui ao Circo dos Sonhos (antigo Circo Spacial) que hoje em dia está localizado na frente do Shopping Anália Franco. Fui até lá para fazer um trabalho de faculdade, mas aos poucos percebi que aquele dia poderia ser bem mais divertido e proveitoso do que eu imaginava.
Percebi isso pois o lugar é infestado por uma sensação de alegria, mesmo que o espetáculo ainda não tenha começado e as cadeiras ainda estejam vazias. Me senti rejuvenescido, feliz...
Lá encontrei traillers habitados por pessoas felizes, pessoas que se ajudam, que tem prazer em fazer circo, que fazem o mesmo espetáculo quase todos os dias e mesmo assim deixam transparecer a alegria em seus olhos como se fosse a primeira vez.
Conversando com Antonio Marcos Pires Gil, o palhaço Petecada, pude perceber o quanto a atmosfera circense é rica no que diz respeito aos laços sociais que são formados lá dentro. Petecada é tão bom com as palavras como em seus números sobre o picadeiro. Segundo o palhaço, o circo tem o poder de atrair as boas pessoas, os bons artistas, aqueles que tem a capacidade não só de serem competentes nas apresentações, mas também, aqueles que somam ao conjunto e contribuem para que a vida circense seja realmente um espetáculo.
Muito do que vi no circo foi perdido na sociedade de hoje. O prazer por estar junto de outras pessoas, a força da vida em conjunto, a comunidade como a maior fonte de força para um indivíduo, enfim, fiquei realmente impressionado por tantas coisas que precisamos em nossa sociedade serem facilmente encontradas em um local que descartamos de nossas vidas como se fosse apenas um lugar qualquer, que visitamos apenas por diversão, uma diversão que julgamos ser descartável como nossa juventude. Nós crescemos, arrumamos empregos, fazemos faculdade, pagamos contas, compramos automóveis, declaramos imposto de renda, obedecemos ordens, etc. Nosso humor "evolui", fica cada vez mais difícil abrir um sorriso sincero e inocente, tudo fica um pouco mais carrancudo e deixamos de sorrir com coisas simples como um circo, pois achamos que ele já não nos é mais útil já que não somos mais crianças.
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2 comentários:
Ótima sua postagem! É bem verdade que as pessoas vão ao circo quando criança, ou então quando pais de crianças. É uma pena! Se a arte fosse vivida como deveria, pela sua essência, iríamos ao circo quantas vezes pudessemos!
Verdade, Ed!
O circo preserva muitos valores que não possuimos mais.
Deveríamos ir mais, não só por diversão, mas também para aprendizado e reflexão sobre nossa situação de caos e individualismo exacerbado.
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